domingo, 17 de maio de 2015

Sem uma gota de água



São precisamente as pessoas as que me surpreendem.

Aquelas que enfrentam esta vida diariamente e o fazem com um sorriso no rosto, as que superam os obstáculos que o país onde nasceram lhe põe à frente, e que não deixam que nada as faça desmorecer, que se levantam, que lutam, que sabem que não é justo terem tão pouco mas que mesmo assim partilham e agradecem a Deus por mais um dia... Que ironia que para sobreviver tenham de arriscar a vida diariamente.

E surpreendem-me também aquelas que estão tão longe de sequer se preocupar por elas. As que dormem todos os dias quentinhas e bem cheirosas sem ligar a estas notícias, sem ter compaixão, sem conseguir perceber o que é viver assim, sem sentir a necessidade de ajudar, sem ter vergonha de se acharem não mais afortunados, mas superiores. Essas pessoas também me surpreendem, e são muitas, mas dessas eu tenho pena.

Uma realidade dolorosa, rotineira, custosa mas maravilhosa. É a luta de mulheres muito mais fortes do que nós!

As crianças em África bebem água, quando a há, saída directamente das torneiras, sem tratamento, com todas as impurezas, as pessoas em África recorrem a águas paradas, com insectos e bactérias que as deixam à beira da morte e com doenças que se não as matam, as deixam com dores no corpo que não conseguem tratar por falta de médicos ou por falta de dinheiro para os medicamentos.
As pessoas em África têm de andar Kilómetros para chegar a uma nascente que, se Deus quiser, lhes dará água limpa e pura.
Em África contaminam-se lagos para dizimar aldeias.

Em grande parte de África há mais de 5 meses de seca. Não cai uma gota de água. É o deserto. Em África há sede todos os dias, e muitos dias em que não há água.

O continente africano é o continente com mais nascentes e bolsas de água subterrânea, é o continente mais rico em água. Que vergonha que eu tenho de nós. Sim, de nós todos, que fizemos e fazemos tudo mal.


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