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| Alexis Tsipras |
Cada dia que passa é uma bomba relógio que ameaça deixar de ameaçar, e explodir, tal vez, de vez.
Foi com enorme fé e desespero que os Gregos confiaram o seu futuro às mãos do Syriza, um partido novo, com ideias de ruptura e esperança, com homens ideologicamente revolucionários que prometeram devolver a voz à Grécia.
Perante palavras de conforto e coragem dirigidas a um povo fustigado e sumido numa crise sem precedentes, agonizando a cada reunião de Eurogrupo, a cada hora do noticiário, a cada comunicado político, o povo grego deu as mãos por entre o desconsolo da sua realidade e em massa deu o púlpito da política aos estreados políticos do Syriza.
A Europa tremeu com o possível efeito contágio que poderia ultrapassar fronteiras e espalhar a esperança de uma nova ordem europeia, essa ordem que até hoje governa e não se prevê que venha ou que possa vir a mudar.
Políticos intelectualmente férteis, políticos amadores que não por juventude mas sim por falta de calo político acreditaram que chegavam e impunham a lógica que estudaram nos livros. Este mundo não são livros, isso é o conhecimento. Este mundo é o jogo, isso é a prática, a realidade, e só agora os novos governantes da Grécia estão a perceber esta grande diferença, que faz toda a diferença.
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| Yanis Varoufakis |
Os protagonistas da cena política grega debatem-se entre eles, consigo mesmos e com os parceiros europeus, perante a dicotomia de cumprir com a Europa para manter o país vivo, e cumprir com o seu povo e as suas promessas para não deixar morrer o seu governo.
Não está fácil, dizem as notícias, não há acordos, não há dinheiro e não há cedências de nenhuma das partes. Os dias passam e o relógio não pára. Estamos no fim do mês de Maio e Tsipras continua sem dinheiro para pagar a quem deve.
A dívida cresce diariamente, os bancos estão à beira da falência, os credores desconfiam, o dinheiro desaparece, o governo enfraquece, e a população esmorece.
Para se esconder do fracasso, relembra o governo que também outros já pecaram, e para isso quer cobrar dívidas mortas que a Alemanha não honrou e que lhe foram perdoadas. A Grécia abriu uma brecha na tímida calma europeia, levantou fantasmas do passado, desenterrou a causa de tantas mortes e confundiu uma "multa" imposta aos vencidos de guerra, com um empréstimo pedido por um país falido. O dinheiro dos gregos é de todos, saiu dos cofres dos Estados para encher os deles, e terá de retornar a seu dono sob pena de ser considerado roubo. Isso não estava nos livros?
Lamento, e muito, pelos gregos, pelo povo que tudo nos ensinou quando nada sabíamos, quando éramos uns bárbaros.
Não acreditei nem acredito na capacidade de fazer política por aqueles que não a bebem desde cedo. A política não, não está nos livros, está nos corredores, e há que conhecê-los.
Os Gregos precisavam acreditar e eu desejei que, pela sua estabilidade, não fossem defraudados.
Não havia bases, só palavras, e o tempo conta todos os dias
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