Todos os dias milhares, atrevo-me a dizer milhões, de mulheres são vítimas da violência de gênero.
Levantam-se prontamente as vozes que reclamam que também os homens o são, e cada vez mais. Sim, pode ser, mas hoje quero falar das vítimas históricas, as mulheres.
E não, hoje não é dia nem nacional nem internacional, nem nada de especial, é apenas o dia em que me apercebo que muitas mulheres não enxergaram ainda que há coisas que não são normais nem admissíveis.
E não, hoje não é dia nem nacional nem internacional, nem nada de especial, é apenas o dia em que me apercebo que muitas mulheres não enxergaram ainda que há coisas que não são normais nem admissíveis.
O pior não é lidar em silêncio com a situação. Grave é não perceber que se está a lidar com ela.
Os maus-tratos à mulher não passam apenas por uma mão que bate erradamente no lugar errado, a violência é extensiva a todo acto que menospreza, diminui, coage, limita e a faz desaparecer.
Durante anos, séculos, na maioria das culturas o papel do sexo feminino não passava por exigir e aplicar os seus direitos, pois não os tinham, apenas se limitavam a cumprir a sua função de "ser menor": procriar, servir e obedecer. Por sorte para nós, a irreverência de algumas mulheres no século passado permitiu que hoje, também na maior parte das culturas, a mulher tenha voz.
Mas a realidade não acompanha as leis, nem a lógica ou os direitos adquiridos, a realidade viola cada dia, de uma maneira ou de outra, a liberdade a que todo ser humano tem direito, e fá-lo escolhendo, uma vez mais, o seu protagonista histórico: a mulher.
Desenganem.se aqueles que não vêem na chantagem emocional e económica, na descriminação, ou no assédio, uma forma de violência.
Sim, decidimos ignorar estas realidades escondendo-nos detrás do chavão "ah mas ela dá bola porque até gosta" "a mim nunca ninguém me disse piadinhas, por algo será" "só ouve quem quer" "não se queria separar? sabia as consequências" "não quer que a tratem assim tem bom remédio, saia" "são outras culturas, não percebemos todos os seus propósitos, não nos podemos meter". É tão fácil, assim visto!
Há quem já ache muitas destas agressões como algo normal, parte da sociedade e da nossa condição homem // mulher. É tudo tão frequente que já é banal e aceitável, é cultural, é a vida...
Que não passe mais um dia sem que cada mulher, em todos os cantos do mundo, perceba, ao menos perceba e não se deixe iludir nem cegar, de se é ou não vítima de algum destes tipos de violência machista.
Para se ser vítima de violência não há que ter um olho roxo.


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