O artigo original foi publicado na Revista Visão em 2012, mas aqui há excertos dele, e a mim parece-me de curiosa leitura.
Aqui fala-se das cartas que as crianças escreviam a Salazar a contar coisas das suas vidas, a pedir ajuda, boa sorte ou protecção.
Para muitos será visto como um cinismo, ou como mero reflexo e imagem de tempos onde não havia em Portugal liberdade, talvez o seja, mas a mim parece-me delicioso que uma criança (e podem ler que algumas o faziam por vontade própria) sinta que no seu país existe alguém em quem pode confiar, a quem pode expor os seus problemas sabendo que estes serão, ao menos, lidos.
As crianças cresciam com a imagem de um senhor que cuidava da Pátria, que a defendia arduamente apesar dos tempos difíceis que a Europa e o Mundo atravessavam. Era o chefe máximo da nação, mas a ele se conseguia chegar através de uma simples carta, mesmo que cheia de erros, pois esse senhor lia, respondia e se possível resolvia.
Independentemente da imagem que se tenha da época em si e do seu protagonista, não deixa de chamar a atenção que o chefe de um governo tipo por autoritário, se desse ao trabalho de responder pessoalmente a cada carta e tentar, depois, dar resposta prática ao pedido feito na mesma.
Se pararmos a pensar nas diferenças que se observam com os dias de hoje, onde não só não somos ouvidos como somos ignorados e ultrapassados nos nossos apelos, deixa espaço para muitas interpretações e reformulações da memória histórica...
Merece o meu respeito pela atitude.

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