sábado, 6 de junho de 2015

A fronteira do Medo


Dizia-me um amigo há um tempo atrás que não percebe os jornalistas que vão para zonas de conflicto, pondo-se a jeito de serem atingidos. Aos olhos dele não tinham de que se queixar, pois quando um drama se dá com um destes profissionais, trata-se de algo mais que esperado, evitável e, por isso, menos importante que o drama das pessoas que sem o quererem tiveram de passar por ele.

Não concordei e não concordo. É graças a estes jornalistas e fotojornalistas que o mundo tem a oportunidade de conhecer tudo o que de bom e de mau se passa nos lugares mais recônditos da terra. É graças à sua valentia e árduo trabalho que os mais atrozes crimes de guerra e que as injustiças praticadas não passam indiferentes até mesmo a quem não os quer ver.

Isto mesmo fez Jack Shahine, que fotografou o êxodo de mulheres fugidas da Síria e do Iraque, Estados dominados pelo movimento terrorista do Estado Islâmico, mostrando a liberdade que era atingida uma vez ultrapassada a fronteira do terror e da repressão.

Estas mulheres materializam o seu sentimento de liberdade arrancando as burcas, descobrindo as suas caras e respirando o que é ser livre depois de muito tempo.


Rasgos de desespero misturados com um grito de felicidade e grandeza, a grandeza que têm todos aqueles que conseguem fugir, que têm os que conseguem perceber a diferença entre o certo e o errado, a grandeza de quem não escolheu a sua vida mas não se conforma com ser vítima dela. Tirar o burca é começar de novo, é ter a oportunidade de voltar a ser gente.

Estas mulheres conseguiram-no, e esperemos que muitas mais, e suas famílias, escapem do terror que supõe viver na nada.

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