OPORTUNO
A exactamente um mês das eleições legislativas Sócrates sai da prisão, sem pulseira electrónica, sem fiança e sem vergonha política.
A separação de poderes assusta-me por mostrar-se não existir.
Se tivesse sido libertado no primeiro aniversário da sua detenção, em Novembro próximo, o PSD (em ganhando estas eleições) seria apelidado de ter mandado prender para fazer campanha e apenas libertar depois da victória.
Assim...liberta a semanas da sentença final, estrategicamente (im)perfeito e a tempo de perturbar a campanha do PS, já por si pobre e esganiçada. O dia de ontem mascara o PSD de agente imparcial...
E o outro protagonista, o que devia ser o principal, vestiu o seu papel de mártir político.
Sócrates sai da prisão vestido à Mandela, preso político do submundo, mal lavado e vestido - e ainda travaram eles a entrada de presentes na cadeia de Évora, pobre homem, a final nem uma camisinha de jeito recebeu nestes 288 dias.
Homem de espírito forte onde os haja. Imbatível, incansável. Admiro-o sem o admirar, pois há que ser maquivelicamente ágil para se sujeitar a toda esta pressão, mediatização e humilhação pública, dando-lhe corda, fomentando-a, pondo em causa a sua estimada e estudada imagem (quem não recorda o "é melhor apanhares-me do perfil esquerdo") tudo isto para seguir com a sua teoria da conspiração, para sustentar a sua defesa, para virar herói nacional. Se o vai conseguir ou não, não sei, não acho....não acredito, mas tem todo o mérito descarado por ter tentado.
E esta é a nossa realidade, a nossa política à portuguesa.

Sem comentários:
Enviar um comentário