Voltando atrás no tempo, relembro o quanto eu invejava a sorte de quem tinha para onde ir aos fins-de-semana.
Saiamos das aulas, deixávamos a Universidade para trás e começávamos os nossos dois religiosos dias de descanso, e corriam, os meus colegas corriam para a estação de comboios, para a terminal dos autocarros, para a bomba da gasolina encher o depósito, eles corriam nem que tivessem de ir a correr até as suas casas, pois não eram de Lisboa, eles tinham uma outra casa para onde ir, para onde voltar, para esquecer a semana e voltar ao conforto do lar, da família.
A minha casa sempre foi...a casa, onde estudei, onde descansei, onde regressei a cada dia depois das aulas, sem ter uma terrinha perdida no mundo onde me refugiar.
Adoro ser de Lisboa, na verdade dava-me menos trabalho que a tantos colegas que partiam e voltavam depois de horas a fio em transportes, eu era de cá, mas ser de cá às vezes cansa...
...Ser de cá às vezes é muito mais do mesmo, não há direito a break, não há direito a fingir que as coisas menos boas da semana não existiram, pois elas estão logo ali, ser de cá é não contar os dias e as horas até o fim da semana, até ao momento em que voltas a casa e vais ver os avós, os pais, os primos, voltas a dormir na tua cama, a comer os teus petiscos caseiros, a ver os amigos de sempre, o senhor do café que te conhece o gosto, e esses mimos que se os tivesse todos os dias eram mais do mesmo, mas que quando são prometidos como presente do fim da semana, devem saber pela vida.
Ir- É bom poder ir, saber que há onde ir quando não apetece ficar!
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