terça-feira, 4 de agosto de 2015

Puxa daí


Consta que esta é a semana mundial da amamentação.

Que bom.

Bom por este acto de amor e protecção ter direito a uma semana de homenagem e consciencialização, e que bom porque assim posso fazer um post a dizer o que há muito penso e quero comentar.

Parece-me perfeito que o casal, principalmente a mulher, decida amamentar. Não deixa de ser uma perfeita normalidade biológica e funcional. Que bom que exista essa opção para quem o quer, e que pena que não haja mais incentivos e facilidades para quem durante os primeiros meses da criança o quer fazer.

O que me parece mal é que se venda a ideia de que para se ser uma boa mãe se tem de dar de mamar. Não concordo nem pouco mais ou menos, e dada a realidade da mulher do século XXI, muito menos.

Trabalhamos para ser competitivas, fazemos os impossíveis para não deixar de ser interessantes em casa, para os nossos maridos, parimos ( e parece que agora a UE pede que o façamos naturalmente, pois decidiram que já chega de cesarianas e partos sem dor) temos de recuperar a figura rápido, voltar ao trabalho ainda mais rápido para não o perder, não ter distracções nem imprevistos para não sermos uma pedra no sapato de ninguém, e ainda temos de gostar de (frase que li ontem) "a dor e o prazer de amamentar" para que o menino não fique doente, se ligue a nós (como se estar 9 meses a crescer cá dentro não fosse suficiente) e blá,blá,blá.


É tudo tão lindo e natural que vira capa de revista.

Pois será lindo, mas não me parece que deva ser nem obrigatório nem impingido. Não gosto da ideia de que a mulher, para ser perfeita (como se os homens o fossem) ainda tenha de rematar os 9 meses de gestação com o bebé pendurado na mama.


Percebo que para muitas mulheres seja igual a dar uma pirueta ou ir beber um café. Ainda bem! Mas também percebo que para tantas outras não haja condições de calma psicológica ou conforto físico para o fazer, pelo que a pressão crescente feita por médicos, comentadores, amadores e meios de comunicação, para o movimento #nãosematuamama me desagrada enormemente. Querem fazer da mulher a heroína ou a bruxa má, depende de se esta se sabe portar à altura daquilo que faz bem ao benjamim. Não interessa o que a ela faz bem ou melhor...


E ainda há as que não dão à conta, ainda não acabaram com um já estão a dar a outro, sendo que o 'Um' primeiro já come bifes com batatas fritas, mas de sobremesa tem direito a leitinho bom vindo da fonte :s Buaaaaj!!

Mas lá está, isto sim já é uma crítica muito dirigida e mais relativa. Há quem acredite que até quando o leite já é basicamente água continua a ser importante... Que seja, então.

Na prática o que interessa é que passas nove meses a não poder cometer pecados alimentares, mas não fica por ai, depois tens de continuar em abstinência total porque alteras o sabor do leite "pobre criança". E viras escrava voluntária e solitária de um longo processo de amor vigiado pelas massas. Cansativas massas.


Há anos atrás lia eu um artigo, fantasticamente estruturado e bem escrito, onde a autora, socióloga, explicava que a crise financeira estava a reduzir drasticamente os lugares de trabalho disponíveis, pelo que, para diminuir também os números do desemprego, a comunidade internacional (até aqui silenciosa) tinha levantado o debate da necessidade do aleitamento materno para fazer com que as mulheres voltassem para casa, se dedicassem ao lar e deixássem de concorrer no mercado de trabalho, deixando assim lugares vagos para os homens. Uma manipulação tão silenciosa quanto as suas vozes deveriam ser. Uma manipulação que atinge mulheres do todo o mundo sob a capa do bem maior do bebé, sem nunca referir o bem maior das estatísticas económicas e eleitorais.

Quer o mundo que voltemos ao sistema antigo, à mulher caseira e submissa, a eterna escrava voluntária e sorridente por ser benzida com tanta sorte. Quer o mundo que o sistema mude, e para isso entope FB, Notícias, revistas, livros, Twitters e Cia com imagens rebuscadas do mal que estamos a fazer às novas gerações desde que somos megeras consumistas que compramos leite em pó.


E dizia um conhecido meu, na semana passada "é fundamental, os primeiros dias, o colostro, o bebé precisa para viver" ao que tive de responder "e se beber leite em pó, morre?" Pois...parece que não. Até crescem à mesma, e desenvolvem-se, e pensam, sentem, até se tornam adultos capazes de atar os cordões dos sapatos e fazer contas pelos dedos.

Pelo amor de Deus, poupem-me!

As mulheres esquecem que ancestralmente sempre souberam o que fazer, e bem, caso contrário não estaria hoje aqui a humanidade. Mais natural do que amamentar, não há, tal como hoje em dia, mais natural do que recorrer aos avanços da humanidade, também não.

Já o lugar escolhido para fazê-lo... Não é bonito serem banidas de lugares públicos por estarem a alimentarem um bebé, mas também não gosto que me impinjam a mama lactante só porque em dando de mamar deixas de ser mulher para ser mãe. Que imagem distorcida e feia da mulher. Não passamos a ser coisas, continuamos a ser um ser sexual, sim, não se minorem!!

Deixem as mulheres em paz. Não as convertam em títeres emocionalmente manipuláveis, muito menos num tema tão sensível como o do bem-estar dos filhos. Tenham vergonha antes de ousar abrir a boca para criticar a uma mãe. Se quer dar de si, dá, se não quer porque não nasceu para leiteira, que não dê. Tudo se cria, para isso tem trabalhado tanto o homem nos avanços científicos, o leite em pó não é comparável mas sim, é um óptimo substituto e ainda bem que existe! 

#Libertemasmulheres
#Deixemnasserfelizes
#Tudosecriavivaoleiteempó

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