Como tantos outros, este é um fenómeno que eu não compreendo.
Com o regresso às aulas, regressa também a dor de cabeça por causa dos livros, dos pais que acumulam facturas por pagar, das crianças que deles precisam para estudar e das editoras e dos nossos Ministérios que esqueceram a vergonha em Armação de Pêra.
Amo o cheiro de livros novos, relembro o ritual da mãe a forrar cada um até altas horas com o pai na mesa da casa de jantar,
Mas também relembro a normalidade, a normalidade com que os livros da minha irmã vinham para mim, os meus para as irmãs de amigas mais novas e assim até lhes perder o rasto. Como me alertavam trezentas mil vezes para a necessidade de eu não pintar desnecessariamente os livros para estarem aptos aos colegas mais novos.
Relembro que era natural passar os livros de mãos, no fim do ano nem se discutia, se sabias que uma amiga saia do ano em que tu entravas, combinavam a entrega de livros. Assim faziamos, da minha irmã iam para a irmã de uma colega dela e depois, quando eu chegava lá, vinham para mim. Como novos, actuais, dignos.
O que se passa no nosso país??? Ouvi nas notícias que o valor dos livros escolares aumentou mais de 20% e que todos os anos nos últimos 5 anos têm tido actualizações anuais o que obriga a comprar novos livros, inviabilizar os do ano anterior, tornando-os obsoletos por exigência do currículo escolar, da mão das editoras e do seguimento dos professores.
Como é possível? Alteram 3 textos, a bonecada da capa e a numeração das páginas e já obrigam os pais a renovar frota porque os livros dos filhos mais velhos são agora "história" a sério? E os professores alinham, o Ministério não pune e os pais obedecem?
Nem a brincar que eu comprava livros novos. Não. Há um texto novo? perfeito, tire fotocópias e siga prá frente. "Ah, não se pode fazer fotocópia, é ilegal" Então não faça, sente-se ao lado de um colega que tenha o livro novo, ou copie o texto numa folha em branco. Não me interessa. Vire.se, todo estudante tem de saber virar-se como todo pai bem pensante tem de fazer-se respeitar a si e à sua inteligência.
Ainda bem que há colégios que têm bancos de livros. Mas isso não deveria ser notícia, deveria ser o normal!!!!
Alivio dos alívios, o Ministério da Educação já veio dizer que no próximo ano lectivo vai rever as regras e analisar o que se está a passar com as editoras. Não o sabe já? hahaha Ok...em 2015 ainda te chegas à frente com os Euros e se te portares bem em 2016 logo te fazemos desconto de amigo...Lindo!
Não concordo, e não sei como não há mais protestas e desatinos.
Não há de ser esta época umas das mais estresantes... entre os nervos das crianças com o regresso às aulas e o desespero de alguns pais por cumprir com aquilo a que despiadadamente os obrigam, eu tinha um treco só de pensar que chega Setembro.
#Libertem os pais, as crianças e o bom senso!!!!


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