Como começou a carreira muito cedo, também pensa em encerrá-la não muito tarde. “Desde menina eu queria parar de trabalhar cedo para curtir a vida. É comum ouvir: ‘Quando eu me aposentar, vou...’, mas aí a pessoa está cardíaca, diabética, não consegue andar e gasta todo o dinheiro que juntou com hospital. Quis gastar comigo antes disso”, completou Ana Paula Arosio.
Como eu a percebo. É uma pena deixarmos o saber viver para o fim da vida, quando já não há forças, quando já se está marcado, cansado, desgastado, sem vontade.
Há quem chegue aos 65 com imensa força, mas também há muitos que sentem que a essa idade já perderam a vida. A vida já se foi, foi-se a trabalhar, calar, aguentar, desfrutar tantas outras vezes, mas foi-se, sobretudo, a desejar chegar à liberdade da reforma.
Desde que me lembro de ser eu...bem, desde os meus 6 anos, que recordo dizer à avó que o meu sonho era ser reformada. Que ideia a minha! Nunca esqueci esta minha frase, dita num dia de verão, a comer um peixe qualquer no meio do Alentejo. E a ideia ficou-me, o que mais quero é poder viver, desfrutar, ser, tal como a Ana Paula, só que ela já pode fazê-lo sem peso na consciência, nem na carteira, e eu ainda não!
Matar-se e deixar de ter vida, em vida, enquanto se é jovem, poupando felicidade para quando o activo acabar, é investir num fundo sem garantia. Se o dia de amanhã não existir, nem foste hoje, nem serás amanhã. E se no dia de amanhã acordares a relembrar quando eres jovem, linda, flexível, animada, saudável, apaixonada, medicamentos-free e livre, então poderás olhar para trás e pensar....que burra que eu fui!
"Mais valia ter vivido enquanto me sentia viva"!
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