Sem palavras por ver a Europa neste estado, pela irresponsabilidade de um Estado.
Não querendo remontar detalhadamente à história da adesão da Grécia à UE, ao facto de ter sido "usada" como barreira geoestratégica para fechar a Europa a influências externas, de ter entrado na União sem ter condições financeiras para tal, mascarando contas, ou até por este país ter tentado impedir a entrada de Espanha e Portugal... pois isso já todos hoje sabemos, derivado das sucessivas publicações que têm saído nos últimos dias na imprensa. O que quero, isso sim, é dar a minha opinião sobre a actualidade.
A Grécia, país com um curioso e ineficaz sistema fiscal, cai repetidamente em crises financeiras (mais ou menos como nós) e serve-se da ajuda internacional para fazer face aos pagamentos públicos, multiplica a dívida e entra numa roda, num ciclo vicioso, que a impede de parar e tomar conta das suas finanças de uma maneira certeira.
No seu último pedido de resgate a Grécia estava, como outros países europeus, em sérias dificuldades financeiras, a ajuda chegou e também esta se multiplicou. Mais de 200 mil milhões de Euros foram destinados à Grécia, que viu governos subir e cair, uns atrás dos outros, por não serem capazes de aplicar medidas, acalmar o povo e pagar a dívida aos pares europeus.
O povo, desesperado e cansado de promessas (...déjà vu...) decide, ou sente a necessidade de, acreditar num partido de amadores, de teóricos, de jovens, de extrema esquerda, pois melaram os ouvidos dos esgotados com promessas de super-políticos, de homens salvadores do orgulho grego (qual Hitler depois da Segunda Guerra Mundial - salvando as looongas distâncias, como é obvio) e deram à luz e luz ao Syriza.
E não, a política não se aprende nos livros, já aqui dei a minha opinião, e há mais de 4 meses que andam a brincar connosco, com todos os europeus. Achavam os homens do Syriza que era chegar, fazer um braço de ferro e ter a papinha toda feita. a sério? Mas que tipo de homens são estes que brincam aos políticos pondo em causa toda uma união europeia, sendo ela já tão periclitante?
Ridículo. Recheados de promessas incumpríveis, o Syriza avança com parte delas para garantir o apoio popular, perante uma Europa incrédula e tão desesperada quanto o povo grego está, pois sabe que assim, longe não vamos.
Reabre a televisão pública, não altera impostos, água e electricidade gratuita para quem tem menos rendimentos, um país falidooo! Um país falido a ser mãos largas.
Os pares europeus tentam fazer os ministros gregos entrar em razão e estes medem forças, negam-se a alterar medidas prometidas, negam-se a apertar o cinto, pedem mais dinheiro, mais tempo para o pagar, menos instituições envolvidas, menos controlo, mais espaço. A sério!? O dinheiro é nosso, é de todos nós, dos Estados europeus, é o dinheiro de todos os contribuintes dos cidadãos da União Europeia, não pagar significa roubar, significa querer ajuda e dormir, significa querer dinheiro e 'agora paciência, esperem que quando eu puder logo pago'.
Tsipras e Varoufakis andaram a brincar com a Europa, passaram meses sem fazer propostas decentes, a adiar e promover reuniões intermináveis, mobilizaram os Estados, esgotaram a paciência de todos, não avançavam com medidas, nada de novo. Apatia grega, a verdadeira tragicomédia.
Prensariam estes senhores que nos seus planos de mudança para a Grécia estava pôr em ridículo a União Europeia, será que não estudaram nos seus calhamaços que a credibilidade de uma União tão díspar e forçada como esta não se pode pôr em causa sob nenhum pretexto, correndo o risco de com isso desagregar os países, retroceder na história e pôr a paz geopolítica em causa?
Parece que não foram lá muito bons alunos...
E a tourada da última semana? Mas será que ninguém conseguia parar isto, acabar com as televisões, amordaçar jornalistas, deixar cair a net mundial, alguma coisa!! Tudo menos que o mundo inteiro saiba, suspeite sequer, que esta situação tão ridícula se está a passar connosco, todos nós, berço de democracia e evolução social e política. Engraçado...
Primeiro queriam negociar, depois já não aceitavam medidas de austeridade, mandavam propostas, estavam erradas, foi lapso, mandavam novo documento, reformulavam 20 vezes, vamos até à Rússia para assustar a Europa, afinal estavam quase a concordar, já não concordam mais, quase quase outra vez, as bolsas de valores disparam, mas finalmente nada de nada, lá descem as bolsas novamente, cheira a acordo, mas cheira mal, tal vez sim, tal vez não e...não! Vamos fazer um referendo e o povo que decida o que nós temos medo de decidir para não perder o apoio deles que nos permite fingir que governamos.
RI-DI-CU-LO
Que capacidade tem a população de decidir se não conhece as pastas, não sabe a realidade dos cofres gregos, não esteve nas negociações, não falou com "a Europa" não nada. Como podem pôr em suas mãos uma decisão tão séria? Mas que cobardia é esta? Os durões gregos, os que não deixavam passar uma a final são uns fracos que nem tomar as rédeas do seu país conseguem?
Criticam 'os países pequenos' por não apoiarem a Grécia, chovem galhardetes em Portugal contra o governo, Mas o que queriam? Nós emprestámos dinheiro aos gregos, passámos por um resgate, tivemos de apertar o cinto até furos nunca antes estreados, cumprimos as medidas propostas, tivemos o país nas bocas do mundo, acompanhámos os Gregos na lista PIGS, fomos os pioneiros, e continuamos a cumprir, a pagar, a devolver o emprestado, nem uma vírgula do empréstimo nos foi perdoado, e agora temos de ser solidários com aqueles a quem todas as benesses têm sido dadas?
Só os portugueses para continuar a criticar os portugueses.
E Há crowdfunding, Really? Vamos todos dar um euro para ajudar a pagar a dívida do vizinho incumpridor? e ainda nos queixamos de ter de dar para ajudar o nosso? Mas somos tão solidários, abrimos os cordões para safar a Grécia e protestamos quando se trata de nos safarmos a nós próprios... Estranho modo de viver. Estranho modo de pensar.
Os gregos poderão votar no Não, e a Grécia poderá sair do Euro (nunca acreditei nesta hipótese) e a dívida nunca vir a ser paga, o Syriza demitir-se e o país não voltar a levantar-se das trevas em que se afundou. Tudo pode acontecer, o que não pode voltar a acontecer é meter uma cambada de crianças a mediar pelo futuro de uma nação, a nação a quem tanto historicamente devemos, mas também uma nação que através dos seus governantes fez dos líderes europeus uns palhaços, uma nação que por culpa dos seus governantes é vista hoje como um nada, um nada no meio de nada.


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