Foi com grande desgosto, que não surpresa, que vi a fotografia de família dos novos diplomatas confirmados pelo nosso MNE.
Com exames difíceis, sem lhes tirar todo o mérito que tiveram em conseguir superar cada longa prova, com maçadores processos de selecção e com garantias zero, foram confirmados os diplomatas que passaram por um período de adaptação e análise após terem sido aptos em todo o concurso público.
Mais ou menos transparente, o concurso está lá e eles passaram. Os meus parabéns.
Mas não são eles quem me preocupa, quem me preocupa é quem os escolhe. Os diplomatas que são a nossa cara no exterior, que nos representam, que por Portugal falam, que a nós defendem, e que vendem a marca do nosso país, são esses mesmo diplomatas que devem ser inteligentes (e estes provaram que pelo menos marrões são) mas devem também ser apelativos, dinâmicos, atractivos, simpáticos, sociáveis, de bom ver, de bom falar, de um bem saber-estar.
Regresso à fotografia de família...vi-os e fiquei sem palavras. Eles a pesarem 20kg, a medirem meio metro, com a pele baça, oculetes, cinzentos iguais aos fatos, com as bainhas compridas, cara de polaroide retardada, elas vestidas no chinês, largueironas (uma..é uma diplomata) sem o cabelo arranjado, sapatinho raso modelo indiano, toda beige não vá algo sobressair e cair-lhe bem.
Não percebo. Este pessoal tem cara de MNE, sim, mas não tem cara de mundo. São eles quem um dia agarrarão a tralha e se farão ao mundo para falar por nós, para ser a nossa imagem, e eu não posso crer que eles sejam a imagem daquilo que somos, eles são a tábua rasa. Podem saber tudo, podem recitar os lusíadas e saber todos os ríos e afluentes de Portugal, mas que investidor cativam eles? Como se impõe respeito face a outros políticos se apareces não se sabe bem se em camisa de dormir ou com roupa de refugiada?
Assisti a um episódio em que um investidor não quis falar com o representante diplomático pois ao ser recebido não quis acreditar que aquela figura era a autoridade máxima da Embaixada. Deu meia volta e disse que voltaria quando houvesse movimentação diplomática... a sério, é isto que queremos para nós?
Prefiro um tipo que tenha de correr ao Google para saber onde fica Alcobaça, ou quem foi o 5º rei de Portugal, mas que falar com ele seja um prazer e me faça querer vir aqui, do que uma enciclopédia de capa dura.
Algo estamos a fazer mal nesta carreira quando em vez de ser uma arma política no exterior, ela se converte numa bomba suicida. Pensemos nisto pois daqui a um par de anos há mais... saber não é tudo, na sociedade da imagem, há que parecer!
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